Bora lá. ☕ Tem meses que eu não escrevo um textoterapia.
Quem acompanha o Nasci Pra Dar Certo sabe que, na verdade, esse blog só existe por causa dessa categoria. Foi daqui que muita coisa começou. E talvez seja justamente por isso que escrever um Textoterapia seja uma das coisas mais difíceis pra mim.
Porque eu não estou falando sobre um assunto viral. Não estou dando dicas ou ensinando alguma coisa. Não estou tentando responder uma pergunta que alguém fez no Google. 😅
Só escrevendo sobre a minha vida. As minhas vivências. Sobre coisas que aconteceram comigo e, muitas vezes, sobre coisas que ainda nem sei direito o que significam…
Talvez seja por isso que eu demoro tanto pra soltar um textoterapia novo. Olhei aqui no calendário e descobri que já fazem 1 ano e 8 meses que estou morando sozinha pela primeira vez.
E são tantas primeiras vezes dentro dessa experiência nova de vida que, às vezes, eu mesma fico impressionada. Primeiras decisões, medos, boletos e felicidades que só eu sei que aconteceram…
Primeiras dificuldades que também só eu sei o tamanho que tiveram. Tem meses em que estou mais introspectiva. Outros em que estou mais sociável.
Tem períodos em que quero sair, encontrar pessoas, conhecer lugares, conversar até tarde. E tem períodos em que eu simplesmente quero ficar quieta. 🏠
E assim seguimos.

Uma mente confusa em relação a muitas questões da vida, tentando, dia após dia, ser uma pessoa melhor pra mim mesma e, consequentemente, um ser humano melhor como um todo.
Se esse é o primeiro Textoterapia que você está lendo, não se apegue muito à ordem das ideias. Essa categoria aqui é justamente livre de nexo. É só sentimento.
E antes que eu me esqueça: a trilha sonora de hoje é “Oração” – Pecaos, Cronus. Clica na imagem, dá play e bora lá.

Sério. É tanta coisa na mente e tão pouca coisa pra escrever. Hahaha. É louco isso, né?
Nos últimos meses eu tenho conversado com tantas pessoas e é curioso como muitas delas chegam até mim pra perguntar: “Como você consegue ficar tanto tempo sozinha?”
E eu fico pensando que talvez a resposta seja muito mais simples do que parece.
Eu simplesmente estou vivendo. São idas à praia. Rolês. Almoços. Cafés. Trabalhos. Dificuldades. Felicidades… Tudo comigo mesma.
É a primeira vez que eu passo tanto tempo comigo. E é bem desafiador. Financeiramente. Emocionalmente. Mentalmente…
Tem uma diferença enorme entre gostar da própria companhia e precisar lidar com todas as consequências de estar sozinho. Eu gosto da minha companhia. Mas isso não significa que seja fácil.
Esses dias eu estava conversando com uma amiga e falei que, neste ano, eu beijei uma pessoa. Hahahaha. Acho que é pouco pra uma pessoa solteira.
Mas, sinceramente? Eu não tenho encontrado ninguém que desperte em mim aquela vontade de beijar sem parar.
E se tem uma coisa que eu gosto nessa vida é de beijar na boca. Hahaha. 😌
É, gente. É bom pra caralho. Beijar alguém com desejo, carinho e saudade.
Aquela vontade de ficar perto. Aquela coisa meio adolescente, meio adulta, completamente irracional e deliciosa.
Enfim. Se você tem essa oportunidade, beije e rebeije esse teu amor aí, por favor.

Mas voltando ao assunto sobre “ficar sozinha”.
Eu sempre falo pra minhas amigas e pra todo mundo que me pergunta sobre isso, que eu tive uma criação preparada para viver sozinha.
Esses dias eu estava fazendo alguns exames de rotina e o médico me perguntou: “Ray, qual é o seu número de emergência?”
Eu olhei pra ele e respondi com a resposta mais sincera que eu tinha na minha cabeça naquele momento:
“Deus.” Esse sempre foi o meu número de emergência. E eu falei isso quase sem pensar.
Porque, naquele momento, não veio ninguém à minha cabeça que eu tivesse liberdade e confiança suficiente pra dizer: “Esse é o meu número de emergência.”
E se eu tenho essa pessoa, aparentemente nunca deixaram essa opção muito clara pra mim.
É uma constatação meio engraçada quando você fala em voz alta. 😅 Mas também é uma coisa que me faz refletir…
Porque existe uma diferença entre ser independente e simplesmente ter aprendido a não esperar que alguém apareça.

Diariamente, no meu Instagram, eu recebo mensagens como:
“eu gostaria de ser bem resolvida como você.” “te acho tão forte e bem resolvida.”
“você é minha referência quando penso em uma amiga guerreira e dona da própria vida.”
E eu acho o máximo que as pessoas que me conhecem tenham essa visão sobre mim.
De verdade. É muito bonito saber que alguém olha pra mim e enxerga inspiração de alguma forma.
Mas quase sempre, depois de ler esse tipo de mensagem, eu penso: Na real, eu nunca tive outra opção a não ser me tornar tudo isso.
Esses dias eu vi uma fala da Maria Gabriela que viralizou, em que ela dizia algo sobre ser uma pessoa sozinha e ter consciência de que foi ela quem construiu isso.
No meu caso, talvez eu não tenha construído exatamente a solidão. Eu só fui me colocando no meu lugar em todas as situações da minha vida.

Fui aprendendo onde eu cabia. Onde eu não cabia. O que eu aceitava. O que eu não aceitava mais…
E, principalmente, fui aprendendo a não esperar que alguém viesse me colocar de pé.
Eu não compartilho a minha história de vida pra que as pessoas tenham pena de mim. Nem para provocar algum sentimento específico em quem está lendo.
Eu compartilho porque é a única história que eu sei contar nos mínimos detalhes. A minha!
Todo mundo tem uma história triste pra contar. Todo mundo carrega alguma coisa.
E cada um decide o que fazer com aquilo. Eu uso a minha como inspiração pra mim mesma. Não porque tudo que acontece comigo é bonito. Não é.
Mas porque é o que eu tenho. E se eu vou carregar a minha história comigo pelo resto da vida, prefiro descobrir o que posso construir a partir dela.

Quem me acompanha diariamente no Instagram provavelmente já percebeu que eu não sou uma pessoa de lamentar, reclamar ou compartilhar sentimentos tristes com quem me assiste.
Não porque eu não tenha dias ruins. Eu tenho muitos hahah. 😅 Mas porque eu nunca sei quais problemas a pessoa que está do outro lado da tela está atravessando.
Às vezes alguém abre meus storys no meio de um dia horrível. Às vezes alguém está sozinho. Às vezes alguém está com medo. Às vezes alguém só precisava ouvir uma música boa…
Então, se eu puder compartilhar uma música que gostei, uma referência interessante, uma imagem bonita, um vídeo engraçado ou uma frase que me fez rir, eu acredito que também posso inspirar quem me acompanha de uma forma positiva.
Talvez seja a minha pequena contribuição para o dia de alguém.

Outra coisa que muitas pessoas que vão morar sozinhas em outra cidade compartilham comigo é a dificuldade de fazer novas amizades.
E, graças a Deus, eu não tenho essa dificuldade. Em todo canto que eu chego, sou muito bem recebida.
Tenho feito boas e sinceras conexões por onde passo. Eu costumo dizer que a minha energia atrai a minha tribo.
E talvez seja isso mesmo. Eu não preciso conhecer muita gente. Eu gosto de encontrar as pessoas certas.
Gente com quem eu consigo conversar sobre coisas profundas e, cinco minutos depois, estar rindo de alguma besteira completamente sem sentido.
Gente que chega sem exigir uma versão específica de mim. Gente que simplesmente gosta de estar. E isso vale muito.

E sigo… Trabalhando. Estudando.
Encontrando os amigos sempre que dá. Ouvindo música boa.
Aliás, uma das coisas que mais gosto de morar aqui na ilha é ter o privilégio de ouvir ao vivo uma galera que faz um trabalho musical sensacional.
Bandas. DJs. Artistas. Exposições. Eventos culturais acessíveis ao público.
Tem sempre alguma coisa acontecendo. E essa é uma das minhas partes preferidas daqui. A sensação de que a cultura está acontecendo perto de mim.
De que eu posso simplesmente sair de casa e encontrar alguma coisa que me desperte uma ideia, uma sensação, uma conversa ou simplesmente uma noite gostosa.

Hoje eu não tenho nenhuma novidade pra contar. Nenhum grande projeto pra revelar. Hahaha. É somente eu seguindo a minha vidinha de sempre.
Tentando me manter consciente dos meus sonhos e dos meus objetivos. Tentando não esquecer de viver enquanto penso tanto no futuro. Haja psicológico. 😮💨
Talvez esse seja o grande assunto desse Textoterapia. Não existe nenhuma grande conclusão.
Eu só estou aqui. Vivendo a minha vida pela primeira vez desse jeito. Descobrindo como é estar comigo por tanto tempo. Aprendendo a cuidar de mim.
E talvez aprendendo, principalmente, que estar sozinha e se sentir sozinha são coisas completamente diferentes. Enfim.
Se você chegou até aqui, espero de verdade que esteja tudo bem com você. Com a sua família. Com a sua saúde física, mental e emocional. Com o seu dinheiro. Com os seus sonhos. Com aquilo que você não conta pra ninguém.
Espero que você esteja conseguindo atravessar tudo que precisa atravessar. E que, no meio disso tudo, também esteja encontrando alguns motivos para rir.
Um abraço.
E caso a gente tenha a oportunidade de se encontrar por aí, vai ser uma satisfação total.
Até o próximo textoterapia.

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