Estou aqui numa pausa entre um briefing e uma reunião que vou entrar daqui a pouco, pra validar cronogramas de conteúdo de uma marca pra a qual presto serviço, na função direção criativa e, talvez, essa seja uma das funções dentro da minha profissão que eu mais gosto de exercer.
Hoje o som rolando aqui no home office é nessa frequência. Clica na imagem e dá play. 🎵

Gosto do processo de buscar referências sobre um tema, construir uma ideia e imaginar como ela vai ganhar forma visual nas mãos de outro profissional, geralmente um designer, que recebe de mim um documento com tudo o que precisa pra transformar conceito em campanha, ou às vezes em um único criativo.
No meu universo de trabalho, a gente chama isso de dupla criativa.
Hoje passei boa parte da manhã, desenvolvendo direções criativas pra materiais que uma marca vai utilizar nos próximos meses. E faço isso sozinha, de casa, sentada em frente a esse janelão que me dá a sensação de estar imersa na natureza toda dessa ilha.

Enquanto olho pra sacada que eu gosto tanto, esperando o horário da reunião chegar, recebo um e-mail dizendo que minha manicure recebeu um comentário no Google Meu Negócio, que eu cadastrei ontem pra ela.
Textoterapia é assim mesmo, muita informação da vida acontecendo ao mesmo tempo. E, de algum jeito, tudo vira assunto.
Mas o que eu queria falar nesse texto é sobre como eu conduzo meus processos criativos trabalhando sozinha, dentro de uma casa contêiner numa ilha. Porque basicamente meu trabalho se define em um estado de pesquisa infinito. E eu não estou exagerando.
Eu não crio as coisas do nada.
Esse texto, por exemplo, eu não precisei pesquisar pra escrever porque minha própria vida é matéria-prima pro blog.
Mas quando se trata de uma marca que me contrata pra dirigir criativamente uma campanha, eu preciso estudar, observar, pesquisar e muitas vezes me desconectar. Porque informação demais também é ruim.
Tem momentos em que consumir conteúdo demais, satura a mente e o resultado disso é bloqueio criativo (pelo menos no meu caso). Ou pior, você começa a criar no automático. Repete o que todo mundo daquele segmento já vem fazendo e pronto. Cumpriu a obrigação.

Mas será que criou? Eu, enquanto Ray, diretora criativa inclusive da minha própria vida, vivo nesse equilíbrio entre buscar boas referências e não me deixar ser consumida por informação demais que, no final das contas, não vai gerar nada. Normalmente meu processo começa quando uma marca chega e diz:
“Ray, sua função é estruturar essa ideia.” A partir daí eu abro um doc. Coloco o nome da marca.
Abro uma aba chamada: Ref. E começo um mapeamento quase obsessivo hahhah. Estudo o posicionamento criativo das maiores marcas daquele segmento. Entro na jornada de compra delas para entender como pensam seus criativos, os e-mails que enviam, as campanhas em andamento.
Muitas vezes me cadastro em newsletters e revistas digitais que nem conversam com meu gosto pessoal, mas me alimentam no repertório editorial. Porque essa fase de imersão, pra mim, é sagrada. Antes de desenvolver qualquer projeto, eu preciso viver nele. Entender seu idioma. Seu ritmo. Seu imaginário.
Principalmente porque minha função é traduzir uma ideia para outro departamento. Eu preciso ser muito assertiva pra que minha dupla criativa também entregue o melhor dela.
Os comandos, em grande parte, saem de mim. E é bonito pensar nisso. Porque direção criativa, no fim é conduzir. É enxergar antes.

Criatividade não nasce só de repertório visual. Nasce de repertório de vida. Eu digo com toda certeza que meu trabalho hoje é dar direção.
E por que faço isso bem? Não é arrogância. É background cultural. Dirigir criativamente qualquer coisa exige vivência, curiosidade e um consumo muito amplo de conteúdos em formatos diversos.
Cinema, viagens, literatura, rua, publicidade, conversas, músicas, silêncios… tudo isso alimenta a base de conhecimento de quem cria. E talvez seja por isso que eu acredite tanto que boas ideias raramente nascem só da tela de um computador.
Elas nascem do mundo e, principalmente, do cotidiano atento de quem aprende a enxergar estímulo criativo até no que parece comum.
Hoje, inclusive, com o surgimento dos agentes de IA, eu percebo ainda mais meu trabalho como direção criativa. Porque antes eu escrevia direções para colegas de trabalho.
Hoje, antes disso, eu abro uma IA e escrevo pra ela como ela vai ser minha auxiliar naquele projeto.
Eu literalmente dirijo a IA. Nutro esse agente com o máximo de informações relevantes e, junto das minhas pesquisas, construo caminhos para depois direcionar tudo isso para o designer.

É curioso pensar que até a inteligência artificial, pra funcionar, precisa de direção. E talvez isso diga muito sobre o valor de quem cria.
Esses dias passou no meu feed o vídeo de lançamento de uma marca de comida. Muito bonita. Visualmente impecável.
Mas assistindo, fiquei pensando em como foi feita a direção criativa pra chegar naquele resultado.
Porque tudo parecia tão perfeito… mas tão perfeito… que me faltou verdade. Parecia um cenário idealizado demais.
Limpo demais. Bonito demais. Me faltou um pano de prato no ombro da pessoa. Um detalhe torto. Uma bagunça viva. Algo que fizesse meu cérebro acreditar que dali sairia o prato mais gostoso da minha vida. Tenho certeza que existe um sonho real por trás daquela marca.
Mas ela foi apresentada ao mundo tão padronizada, tão parecida com milhares de outras, que talvez deixou escapar o mais simples, originalidade. E eu fico pensando nisso. Estamos criando? Ou apenas replicando?
A indústria criativa, muitas vezes, empurra a gente pra esse lugar. E resistir a isso talvez seja parte da missão. Hoje eu vejo meu trabalho mais do que nunca como direção criativa.
Entre briefings e boletos… Sigo escrevendo minhas experiências de vida e dirigindo ideias.

É hora de dar tchau…
Vou deixar aqui algumas das minhas referências preferidas, que estão sempre no meu radar criativo, mas só algumas, porque eu tenho ciúmes das minhas referências. 😌
não tá no meu blog, mas fui eu que escrevi 👇
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- A próxima crise criativa já começou?
Se você chegou até aqui… espero que esteja tudo bem com você. Com sua família. Sua saúde física, mental e financeira.
Por aqui tá tudo bem, graças a Deus.🍷
Que toda vez que você passar por aqui, esse espaço te traga: boas ideias, novos caminhos, e outras formas de ver o mundo.
Um abraço.🫰
