Tem uma coisa curiosa sobre viver em motorhome que pouca gente imagina, às vezes, o lugar mais importante do seu roteiro não vai ser uma praia paradisíaca, nem uma montanha nevada.
Mas, sim um posto de gasolina. 😅
Porque quando você coloca uma casa sobre rodas na estrada, descobre rápido que viajar de motorhome é aprender a sustentar uma vida com qualidade em movimento. Todos os dias existe um checklist invisível.
Encher reservatório de água, esvaziar a caixa de esgoto, limpar o porta potti, que é basicamente um vaso sanitário químico (chique no nome, trabalhoso na prática hahah).
Calcular autonomia de energia, planejar opções de onde dormir. ( camping ou wild camping “acampamento selvagem” 😌 a modalidade queridinha do viajante hahaha
Trilha sonora desse texto 🎵 (É só clicar na imagem e dar play. 🎧)

E, muitas vezes, no meio desse corre todo, o grande ponto turístico do dia era um posto de combustível. Porque era ali que talvez tivesse água. Poderia ter uma tomada, um banho mais longo.
Alguém disposto a dizer “pode encostar aí” sem problema. 😮💨 E quando você mora num carro, um “pode encostar aí” vira poesia para o seu ouvido.
Já teve dia em que a gente rodou cidade inteira procurando camping aberto e nada. Outras vezes, posto nenhum deixava usar uma mangueira para abastecer o reservatório (nem pagando). Resultado? Pedimos água em casa de morador.

Já buscamos ajuda em secretaria de turismo, fomos parar em corpo de bombeiros porque o motorhome precisava de água e a gente também. E tudo isso, detalhe, depois de horas dirigindo ou trabalhando…
Você só querendo um banho e descansar. Mas primeiro tem a logística da sobrevivência. Foi aí que eu entendi, na estrada, posto de gasolina não é parada. É infraestrutura, abrigo e muitas vezes, salvação do dia.
E por que posto vira ponto turístico?
Porque muitas vezes é ele que te salva. É no posto que você, abastece água, carrega bateria, toma banho, dorme em paz, pede socorro se precisar…
toma café às 6 da manhã observando os caminhoneiros começando a vida. Posto de gasolina vira apoio emocional. hahaha.
Principalmente em semanas de chuva, quando seu sistema de energia depende do sol e você precisa desesperadamente de uma tomada. E sim, já aconteceu inúmeras vezes da gente perguntar pro frentista…👇
“moço, teria uma tomada pra carregar as baterias do motorhome?” Recebemos muitos nãos. Mas os “sins”… sempre prevalecia. 😮💨

Água. Você só entende o valor quando falta
Uma vez ou outra não tinha camping. Posto não deixava pegar água. E a solução? Bater em casa de morador pedindo:
“Você poderia nos dar água pro motorhome?”
Sim, já fizemos isso muitas vezes. Hahaha.
Inclusive, uma vez no bendito Deserto do Atacama, e esse Atacama rende história, viu? Mano do céu… sério.
A gente não conseguia água em lugar nenhum. E, naquele momento, também já não estávamos nos sentindo muito bem recebidos na cidade e cada experiência é particular, né? Aqui no blog eu conto a minha vivência.

San Pedro de Atacama me deixou algumas reflexões sobre como o mercado turístico funciona por lá, mas isso talvez renda outro texto. O fato é, a água do motorhome estava acabando e a gente já naquele modo sobrevivência.
Só conseguimos resolver quando batemos na casa de um morador, meio na coragem mesmo, pedindo água pro reservatório. E fomos recebidos por um boliviano querido que apontou uma torneira e, naquele momento, aquela torneira parecia um oásis. hahhah 💎
Coisa simples que, na estrada, vira luxo.

Outras vezes buscamos:
- secretarias de turismo
- corpo de bombeiros
- qualquer lugar com uma torneira e boa vontade
Logística da sobrevivência. Isso é vida em motorhome.
O Brasil ainda engatinha nisso
Pelo menos na época em que eu viajava de motorhome, eu quase não via estruturas pensadas para esse tipo de viajante aqui no Brasil. E, sendo bem sincera, até faz sentido. Afinal, não é um movimento cultural tão difundido em um país do tamanho do nosso.
Na Argentina tem uma rede de postos de combustível YPF. Mooooço… como diz o Thiago brava, E S T R U T U R A 😂
Os caras são brabo, quando o assunto é marketing de conexão através da cultura. Sério. Eles não estão só espalhados pelas principais rotas turísticas da Patagônia. Eles entenderam o comportamento de quem passa por ali. 🚐
São muitos viajantes de motorhome, de todos os cantos do mundo, cruzando aquelas estradas todos os dias. Eles poderiam ser só mais um posto no caminho.

Mas não. Os cara deu o nome. Criaram estrutura, pensaram no viajante, facilitaram a vida de quem tá na estrada… e, com isso, viraram praticamente parada obrigatória. Ponto turístico!
O resultado? Se tornaram os queridinhos de quem já passou por lá, e também de quem ainda sonha em conhecer. Entregando exatamente o que aquela pessoa precisa, naquele momento da viagem.
- área para “casas rodantes”
- tomadas
- água
- Wifi
- estrutura pensada pro viajante de motorhome
Tem marca que vende produto. Tem marca que vira memória
A estrada muda nossa forma de olhar o mundo
Nunca esqueço quando chegamos em Lençóis, na Chapada Diamantina. Estacionamos o motorhome perto de um rio, e fiquei observando mulheres lavando roupas e lençóis nas pedras.
E eu ali… viajando numa kombi com uma mini máquina de lavar da eletrolux centrifugando as roupas, dentro de um carro. Como não entrar em reflexão? Aquilo me atravessava. Porque eu me sentia em uma espécie de viagem no tempo.

A estrada faz isso. Te coloca diante de realidades que nenhum roteiro turístico entrega. E é aí que você entende que viajar e viver a estrada são coisas muito diferentes.
Você pode até sair com um roteiro pré-definido e deve… mas é o caminho que decide por você. Porque, no meio do percurso, você para em um lugar… Encosta o carro pra descansar ou fazer uma reunião. E, de repente, começa uma conversa com um morador curioso…
“Vocês vieram de onde?”
“Pra onde estão indo?”
E pronto. Naquele momento, o roteiro já era. hahaha Porque no dia seguinte, antes de seguir para o destino planejado, você já tem um novo lugar pra conhecer, um pico que você nunca tinha ouvido falar. E é assim que a estrada vai conduzindo o destino.
O Brasil é gigantesco. E isso me impressionava o tempo todo.
Às vezes eu pensava, como cabe tanto país dentro de um país? E sim, curiosidade👇
Minas Gerais, por exemplo, é maior que a França. E o estado da Bahia é maior que a Espanha.
Você atravessa um estado brasileiro… e, na prática, é como se estivesse cruzando um país inteiro. E foi aí que eu entendi, viajar pelo Brasil é chãoo mininuuu… você cruza a divisa de um estado e já parece que entrou em um universo paralello. hhahaha

Se for viajar em casal
Lembrete inicial: vocês dois estão vivendo essa realidade pela primeira vez. Depois que o motorhome entra na estrada… é vocês dois, Deus e o mundo.
Primeira pergunta, pras mulheres hhaha 👇
Esse homem que você tá pensando em dividir a vida dentro de um motorhome… ele é cuiudo,cuiudo,cuiudo? Mas cuiudo MESMO? Na vida?
Porque, se não for, minha filha… isso pode transformar um sonho na pior experiência da sua vida. hahahaha
Brincadeiras à parte (inclusive, meu ex parceiro de estrada era bem desenrolado sim hahah), a verdade é que viver meses dentro de um carro já é, por si só, uma experiência intensa. Agora imagina isso em casal.
Vocês precisam ser muito alinhados. Muito. Porque não é só sobre viajar. É sobre conviver em um espaço pequeno, resolver problemas juntos, tomar decisões o “tempo todo” e, muitas vezes, lidar com perrengues que ninguém ta preparado.
Se não tiver parceria, comunicação e maturidade… vira desgaste rápido. E não é exagero. Inclusive, existe até uma série famosa que mostra um casal vivendo algo parecido, e que termina de uma forma bem triste.

Eu tenho o privilégio de dizer que tive uma das melhores experiências estruturais quando se trata de vida em motorhome. E isso fez toda diferença.
A gente tinha uma estrutura que permitia qualidade de vida na estrada:
financeira, emocional e prática. Tudo era pensado pra trazer conforto e reduzir ao máximo os perrengues.
E mesmo assim… não é fácil. Porque, no fim das contas, esse tipo de viagem exige uma coisa muito clara, os dois precisam querer isso de verdade. (como tudo na vida) Não existe “gostar mais ou menos”.
Ou você ama… ou você não sustenta. Porque viver na estrada pede entrega total, o “sonho” compartilhado precisa de alinhamento… senão vira teste de resistência.
E eu faria tudo de novo?
Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria tudo de novo, sem pensar duas vezes. Porque você não passa um, dois ou até quatro anos vivendo na estrada… e continua sendo a mesma pessoa. Você muda como: pessoa, mulher, profissional, como ser humano…
Eu nunca vou esquecer de um dia específico, dormindo no topo da Cordilheira dos Andes. Dentro de um carro. Que, naquele momento, era meu porto seguro. Era a primeira vez que eu sentia, na pele, o impacto real da altitude e do frio extremo no meu corpo, e no meu psicológico.
Silêncio… e a cabeça a milhão. Porque, na manhã seguinte, depois de meses sem ver o sol, a gente ia descer a famosa e uma das mais perigosas estradas da viagem.
Los Caracoles, no meio da Cordilheira dos Andes, com cerca de 40 km de extensão e 29 e curvas de um grande desafio pra quem precisa se preocupar com: O peso do carro, o cuidado com o freio, as curvas constantes, a responsabilidade de descer tudo aquilo com segurança ( e eu nem era o motorista) hahahah 😅
É o tipo de situação que te coloca presente na vida de um jeito que nada mais coloca.

Mas esses detalhes…
ficam pra um próximo texto. hahaha

É hora de dar tchau…
Se você chegou até aqui… espero que esteja tudo bem com você. Com sua família. Sua saúde física, mental e financeira. Por aqui tá tudo bem, graças a Deus.🍷
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